JEAN CHARLES

Postado em 17 de junho, 2009, by Andressa Nascimento

Quase quatro anos se passaram desde a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô londrino. Aos 22 de julho de 2005 o jovem eletricista que morava em Londres, capital da Inglaterra foi injustamente baleado com um tiro na nuca por ter sido confundido com um terrorista pela polícia britânica. O caso chocou muitas pessoas na época e gerou polêmica devido aos amigos que estavam lá: Alex, a prima Vivian e a outra prima Patrícia. A polícia inglesa se redimiu do erro e tentou ajudar com o que podia, inclusive oferencendo uma quantia em dinheiro para as despesas do funeral.

No entanto, tudo que a família de Jean queria e ainda quer, é justiça. Nada trará a vida desse inocente de volta. Dele e de muitos que morrem injustamente, seja aqui no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Ele foi apenas um exemplo de muitos por aí. Pensando nisso, o diretor Henrique Goldman, inglês naturalizado brasileiro, resolveu trazer para as telas do cinema do drama da família Menezes e os últimos meses de Jean Charles.

Selton Mello vive o personagem principal e Vanessa Giácomo vive a prima Vivian que chega na Inglaterra para passar alguns meses lá para mandar dinheiro a sua mãe, que está doente com diabetes. Com muitas dificuldades, os dois vão vivendo de bicos e trabalhos temporários para tentar sobreviver na capital inglesa. Nesta época começam ataques terroristas na cidade e Jean Charles, por infelicidade do destino é confundido com um deles. O verdadeiro homem-bomba, morava no mesmo prédio em que o brasileiro, seu amigo Alex e suas primas e também trabalhava em construções. Este foi o motivo da confusão. Em um metrô de Londres, um dia após um atentado, a polícia o baleou, assassinando-o no mesmo momento.

O filme de Goldman passa uma verdade nua e crua para o telespectador, que reagirá de acordo com o seu coração. Em aspectos pessoais, o filme pesa na questão da dificuldade em se morar em outro país, a saudade da família, a falta de dinheiro, o sub-emprego, a língua diferente. Também aborda a outra face, a brasileira, quando o corpo dele chega à cidade natal, Gonzaga. Desde a morte de Jean até o fim do filme, o telespectador ficará tocado com toda a situação a qual as primas Vivian e Patrícia, o amigo Alex e toda a família, amigos e a cidade dele ficaram.

Na parte prática do longa, não se observa muitas ousadias, como máxima fotografia ou grandes luzes. Carlos Nader e Henrique Goldman prezaram pela máxima realidade e pela história sendo contada por si só. Destaque para Selton Mello como Jean, que, segundo a própria família, o ator conseguiu adquirir inclusive trejeitos e modo de falar do rapaz. Ponto positivo também para Luis Miranda, que soube dar vida a um personagem de humor que passa por um clímax drama. Em evidência, Vanessa Giácomo, que deixa a imagem de menina das novelas de época e dá vida brilhantemente para uma menina simples que vai para o exterior e se assombra com o que vê. Peca apenas na cena do necrotério, em que não fica claro para o espectador a dor que a prima Vivian sente. Contudo, para todo um contexto geral, ela teve uma atuação de ótima qualidade.

Jean Charles é um filme leve e rápido que faz o espectador entrar em uma metalinguagem de maneira que depois que este acaba, a vontade é de sair às ruas e se perguntar: POR QUE?

Vale a pena ser conferido, principalmente por ser mais uma produção quente da indústria cinematográfica brasileira. Fica a dica do Cinema Online!

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